Família Católica

Evangelhos

Ariadne Homepage

Vocação para o Matrimónio
 

Vocação para o Matrimónio

Casámos em 1996 na capela do Bonfim, em Setúbal. Tínhamos na altura 20 e 22 anos. Conhecemo-nos no grupo de jovens da paróquia de São Paulo e hoje temos lá a nossa filha mais velha, a Inês de 8 anos, no 2º ano da catequese.

No nosso namoro fazíamos planos de como queríamos construir a nossa família e Deus ajudou-nos a realizá-los. Temos hoje 4 filhos: a Inês, o João de 6 anos, o Pedro de 4 anos e a Joana com 1 ano.

Acreditamos que é através do nosso casamento que Deus nos chama à santidade. É maravilhoso perceber que Deus confiou em nós ao ponto de formar “sociedade” connosco para a Sua criação, Deus cria a alma mas somos nós que criamos o corpo, surgindo assim um novo filho de Deus que é nosso filho na terra mas nosso irmão na criação.

Sentimos esta vocação em especial naqueles dias em que os meninos estão particularmente barulhentos, em que o cansaço empurra-nos para a cama e ainda falta vestir pijamas, arrumar a cozinha e os brinquedos espalhados… e quando finalmente estamos os dois, um diz: “É bom ser casado.”.

A vida em família ensina-nos a cultivar a paciência, a negar com carinho as nossas vontades pessoais, a ter tempo, tempo para ouvir, para dar colo, para amar. Acima de tudo, a vida em família, sobrepõe-se a tudo o resto, sem ela não faz sentido ter uma carreira profissional ou sermos uma “celebridade” no meio dos amigos.

A “loucura” que tantos de fora não se cansam em apontar com frases como “4 meninos, que horror!”, ou a nossa preferida, “Não têm televisão em casa?” é para nós a alegria de vivermos a vontade de Deus.

O primeiro milagre de Cristo, relatado nos evangelhos, foi numa festa de casamento a pedido de Sua Mãe. Pensamos que, tal como aí, Nossa Senhora estará sempre a interceder por nós e Cristo estará a transformar no melhor vinho a nossa água.

Quando nos casamos vimos cheios de paixão e força – o “vinho” - e aos poucos temos mais “água” que “vinho”que é a rotina dos dias, a falta de paciência quando chegamos do trabalho, as zangas, o cansaço… É importante, nestas alturas, lembrarmo-nos que o casamento é um sacramento, que esta “água” pode transformar-se num “vinho” ainda melhor que o primeiro, em alegria, amor e paz interior, se pedirmos a Deus como Nossa Senhora insistiu com o Seu Filho.

Nesta nossa caminhada, muitas são as vezes que precisamos de forças para superar os momentos mais difíceis. O “segredo” da paciência extra, da palavra ou sorriso que acalma os ânimos, do amor sem fim, vem da eucaristia, da oração em família e do sacramento da reconciliação. Sem estas graças que Deus nos confere, a caminhada seria muito, muito difícil.

O nosso casamento tem sido um percurso de mãos dadas ao encontro do Senhor, temos aprendido muito ao longo destes anos, com dificuldades e alegrias, desilusões e entusiasmos, lágrimas e risos, sabemos que ainda nos falta aprender muito mais. Se hoje estamos ainda mais enamorados um pelo outro que no dia do nosso casamento é porque temos sido sempre 3, nós e Cristo.

Queremos terminar com uma frase que nos dá muita força: “(…)é na “Igreja doméstica” que eles (os filhos), educados pela piedade dos pais, aprendem a importância da oração e da confiança incondicional no amor previdente de Deus (…)” , A Família, esperança da Igreja e do mundo”, Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, 31 de Maio de 2004.

 Adriana Menezes e João Tavares

(Publicado em "A Barca" suplemento do Notícias de Setúbal de 8 de Abril de 2005)