MENSAGEM PARA O DIA DA MÃE
4 de Maio de 2003
Celebrar o Dia da Mãe, ano após ano, é sempre propor uma
homenagem à mulher, símbolo do acolhimento, da entrega desinteressada, da
atenção permanente, do coração que sabe guardar, no mais íntimo de si, as dores
e também os sinais de esperança.
Celebrar o Dia da Mãe é lembrar ao mundo que à mulher cabe
o papel insubstituível de conceber uma nova vida, de lhe transmitir todo o amor
de que esta necessita para crescer, ganhar forças e entrar num mundo tão
carecido de “bem amados”. Com esta missão tão específica, a mulher/mãe aceita um
desafio imenso. Ao acolher no seu seio um novo ser, o seu filho, inicia-se uma
relação de confiança mútua que não mais irá ter fim. A própria biologia
mostra-nos como a vida da mãe fica condicionada à do bebé e como este espera
tudo – do alimento ao carinho – daquela que o aconchega dia a dia. O diálogo
entre ambos vai crescendo, cada vez mais partilhado, e começa a esboçar-se um
mundo de expectativas, que serão, tantas vezes, contrariadas por censuras, falta
de acolhimento e até desprezo da parte de mentalidades e estruturas da
sociedade.
Toda a mãe, antes de o acolher no seu seio, acolhe sempre
no íntimo do seu coração o filho a quem se quer dedicar, alegra-se com o seu
bem-estar e chora face ao seu sofrimento. O seu coração de mãe teme não ser
capaz de proteger aquele que ajudou a nascer, de conseguir gritar bem alto que
aquela vida tem todo o valor, que merece ser feliz e que precisa que a ajudem na
sua tarefa de mãe. Esta dor é acrescida nas mães de filhos portadores de uma
qualquer deficiência. E que exemplo nos é dado por estas mães que sabem louvar
os pequenos progressos, as pequeníssimas conquistas, neste mundo que parece
satisfazer-se apenas com grandes sucessos! Trará este Ano Europeu da
Pessoa com Deficiência mais do que preocupações com barreiras físicas? Será
que vamos ouvir falar de verdadeiras mudanças de mentalidade, de uma real
abertura à solidariedade não só nas famílias, mas nas escolas, nas comunidades
paroquiais?
Saudamos as mães que repartem o seu amor imenso pelos
seus filhos sãos ou deficientes, e ainda por tantas outras crianças que só assim
o podem experimentar.
Saudamos, também, as mães que acolhem com generosidade e
alegria a vocação sacerdotal, religiosa ou missionária a que Deus chamou um ou
mais dos seus filhos.
Saudamos, ainda e com especial carinho, as mães que viram
partir, vítima de acidente ou de doença, o filho que tanto amam.
Manifestamos, nesta hora difícil, a nossa solidariedade às
mães que sofrem, nos seus filhos, os horrores das guerras.
Convidamos as mães a que rezem, agradecidas, o dom dos
seus filhos e a graça de poderem ser colaboradoras de Deus na transmissão do Seu
infinito Amor, e que ensinem os seus filhos a rezar de um modo gratuito, numa
singela homenagem à bondade do Senhor.
Apelamos às mães para que nunca se sintam abandonadas,
porque sabem que Deus as ama e que estará sempre a seu lado.
Celebrar o Dia da Mãe neste ano de 2003, Ano do Rosário,
leva-nos a ter ainda mais presente a figura da Virgem Maria. Quem melhor do que
Ela nos ensina a acolher incondicionalmente a missão que lhe foi destinada por
Deus?
Desde o Seu sim incondicional culminado no
acolhimento aos pés da cruz, Maria é, como mãe atenta, consciente do que dela
era esperado, verdadeiro modelo para qualquer mãe.
Páscoa de
2003
Comissão Episcopal da Família